As gemas mais belas

Turmalina Paraíba: GIA e Gübelin confirmam uma nova fonte na Etiópia

A 27 de agosto, o GIA e o laboratório Gübelin confirmaram em conjunto que a turmalina cuprífera de um novo jazigo perto de Abuloo, na região etíope de Oromia, cumpre a definição aceite de turmalina Paraíba. O GIA afirma que já pode indicar a Etiópia como origem nos seus relatórios. Se estas gemas se comparam às melhores do Brasil continua por saber.

Por , gemólogo GIA (GG) · Publicado a · Atualizado a

Fotografia a preto e branco em que só os dois cristais azul-esverdeados de turmalina cuprífera da mina da Batalha, no Brasil, mantêm a cor; a matriz entre eles aparece a cinzento
Para comparação: cristais brasileiros de turmalina cuprífera da mina da Batalha, São José da Batalha, Paraíba, a jazida original da Paraíba. Não se trata de material etíope. Fotografia: Parent Géry, CC BY-SA 3.0, modificada (preto e branco, cor seletiva); Wikimedia Commons.

Uma corrida que começou na primavera

A Gübelin diz ter visto este material pela primeira vez no início de maio de 2026: várias turmalinas Paraíba tinham uma química ausente das suas referências do Brasil, de Moçambique e da Nigéria. Em Adis Abeba, o gemólogo Haimanot Sisay ouviu falar de «Paraíba» a 25 de maio, através de um contacto em Shakiso.

Num relatório de campo publicado em julho pela revista italiana IGR, Sisay situa as escavações a cerca de 2 km a leste da aldeia de Abuloo, a uns 50 km a nordeste de Shakiso. Os mineiros escavam depósitos secundários até cerca de 6 m; contou mais de 3000 pessoas no local, num clima de segurança tenso. Relata ainda um rumor do comércio de Adis Abeba: um primeiro lote ter-se-á vendido por mais de 200 milhões de birr, mais de um milhão de dólares, valor não confirmado.

A 18 de junho, o laboratório suíço SSEF referia relatos credíveis do comércio sobre uma nova fonte e gemas difíceis, por vezes impossíveis, de atribuir a uma origem, com elementos-traço semelhantes aos de material conhecido, sobretudo brasileiro.

O que encontraram os laboratórios

O comunicado conjunto de 27 de agosto junta duas investigações. A Gübelin reuniu cerca de 300 gemas em bruto e lapidadas, parte delas recolhidas na Etiópia; o GIA examinou lotes desde o início de junho e, em julho, recebeu mais de 100 amostras do grupo Ferreira. Ambos concluem que o jazigo produz turmalina colorida sobretudo pelo cobre, dentro da definição de turmalina Paraíba.

As cores vão do azul ao azul-esverdeado, com zonamento frequente. Em Idar-Oberstein, o laboratório alemão DSEF, que recebeu o primeiro lote de Abuloo a 24 de junho, encontrou em cerca de 50 amostras as bandas de absorção do cobre perto dos 700 e dos 900 nm, típicas da turmalina Paraíba, e nalgumas gemas uma banda adicional perto dos 520 nm, devida ao manganês. Gemas dos mesmos lotes sem cobre, ou dominadas pelo ferro, não são classificadas como Paraíba.

A química também denuncia a origem. Ambos referem teores elevados de vanádio (acima de 60 ppm), chumbo (de 170 a 6000 ppm) e gálio (de 280 a 900 ppm), mensuráveis com um bom aparelho de fluorescência de raios X (ED-XRF). Segundo Peter Tollan, diretor de investigação e desenvolvimento da Gübelin, as amostras etíopes distinguem-se facilmente de todas as outras origens sem recorrer a métodos de investigação como o LA-ICP-MS.

O nome de uma cor, não de um lugar

O nome vem do estado brasileiro da Paraíba, onde a turmalina cuprífera foi descoberta na mina da Batalha, perto de São José da Batalha, no final dos anos 1980. Seguiram-se o Rio Grande do Norte nos anos 1990, a Nigéria desde 2001 e Moçambique desde meados dos anos 2000, segundo um estudo do GIA publicado em 2006.

O Laboratory Manual Harmonisation Committee (LMHC) define a «turmalina Paraíba» pela cor e pela química: uma turmalina azul, azul-esverdeada a verde-azulada, verde ou verde-amarelada, de saturação média a alta, colorida principalmente pelo cobre e pelo manganês, seja qual for a sua origem geográfica. Uma turmalina cuja cor é dominada pelo ferro, ou que contém apenas vestígios de cobre, fica de fora.

Brasil, África e agora a Etiópia

A origem pesa no preço. Na Gems & Gemology, em 2019, investigadores do GIA notavam que as turmalinas Paraíba brasileiras são em geral mais valorizadas do que as africanas e que as melhores gemas brasileiras mostram muitas vezes uma cor mais intensa, embora as gamas de cor se sobreponham. Mediram em média cerca de 11 400 ppm de cobre no Brasil, contra menos de 2000 ppm em África. Moçambique tornou-se entretanto um grande fornecedor, por vezes de gemas muito grandes, observava a Rapaport em junho.

Para a Etiópia, os dados publicados ainda são parciais. O DSEF encontrou em média mais cálcio, ferro, gálio e chumbo do que no material brasileiro, embora alguns cristais lembrem os da Batalha. As médias de cobre da Etiópia ainda não foram publicadas; os artigos completos anunciados pelo GIA e pela Gübelin na Gems & Gemology deverão preencher essa lacuna. Não há ainda dados de preços públicos fiáveis.

A nossa opinião

Na nossa opinião, os laboratórios resolveram a questão do nome: as gemas de Abuloo que cumprem os critérios são turmalinas Paraíba de pleno direito, tal como as de Moçambique e da Nigéria. Ombrear com as melhores brasileiras é outra questão, de cor, tamanho e oferta, a que os dados publicados ainda não respondem. Sósias coloridos pelo ferro circulam nos mesmos lotes e só a espectroscopia os distingue. Quem compra hoje deve pedir o relatório de um laboratório que disponha de material de referência etíope, com variedade, origem e eventual aquecimento, e julgar a gema pela sua cor, não pelo seu nome.

David Nataf é gemólogo GIA (GG) e comerciante de gemas. As gemas fotografadas não são vendidas pela NANA.

Fontes
  1. GIA e Gübelin Gem Lab, “GIA and Gübelin Gem Lab Confirm New Source of Copper-Bearing Tourmaline from Ethiopia”, comunicado conjunto (em inglês). gubelingemlab.com, 27 de agosto de 2026.
  2. JCK News Desk, “GIA, Gübelin Confirm Ethiopia as New Source of Paraiba Tourmaline”, JCK (em inglês). www.jckonline.com, 27 de agosto de 2026.
  3. SSEF, “New source of Paraiba tourmalines reportedly discovered in Ethiopia” (em inglês). www.ssef.ch, 18 de junho de 2026.
  4. Suzanne Watkin, “New Paraiba Tourmalines May Originate From Deposit in Ethiopia”, Rapaport (em inglês). rapaport.com, 21 de junho de 2026.
  5. DSEF German Gem Lab, “Cuprian tourmalines from Ethiopia”, blogue de investigação da DGemG (em inglês). blog.dgemg.com, 1 de julho de 2026.
  6. Haimanot Sisay, “Field report to Paraíba tourmaline rush near Abuloo, Ethiopia”, IGR, Rivista Italiana di Gemmologia (em inglês). www.rivistaitalianadigemmologia.com, 22 de julho de 2026 (relatório datado de 4 de julho de 2026).
  7. LMHC, Information Sheet 6, “Paraiba tourmaline”, versão 8 (PDF, em inglês). www.lmhc-gemmology.org, fevereiro de 2023.
  8. Y. Katsurada, Z. Sun, C.M. Breeding, B.L. Dutrow, “Geographic Origin Determination of Paraíba Tourmaline”, Gems & Gemology, vol. 55, n.º 4 (em inglês). www.gia.edu, inverno de 2019.
  9. A. Abduriyim et al., “‘Paraíba’-Type Copper-Bearing Tourmaline from Brazil, Nigeria, and Mozambique: Chemical Fingerprinting by LA-ICP-MS”, Gems & Gemology, vol. 42, n.º 1 (em inglês). www.gia.edu, primavera de 2006.

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