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  • Entrevista: Nissim Zuaretz, presidente da Bolsa de Diamantes de Israel, pede uma zona franca

    Entrevista: Nissim Zuaretz, presidente da Bolsa de Diamantes de Israel, pede uma zona franca

    Mercado da joalharia · Entrevista

    Entrevista: Nissim Zuaretz, presidente da Bolsa de Diamantes de Israel, pede uma zona franca

    A Bolsa de Diamantes de Israel só conseguirá manter os seus maiores negociantes se o Estado criar uma zona franca para os diamantes, disse-nos o seu presidente, Nissim Zuaretz, em Ramat Gan, a 11 de fevereiro de 2026. Considera que os diamantes criados em laboratório «não são diamante» e garante que os negociantes israelitas cumprem as sanções norte-americanas contra a mercadoria russa. Em julho, demitiu-se antes do fim do mandato; mantém-se no cargo até às eleições previstas para novembro ou dezembro.

    Por , gemólogo GIA (GG) · Publicado a · Atualizado a

    Ilustração a preto e branco em que só cinco diamantes em bruto de África, cristais cúbicos e octaédricos, mantêm a cor, ao lado das palavras Ramat Gan e bolsa de diamantes
    Ilustração NaNa News. Diamantes em bruto de África (três cubos cinzento-amarelados e dois octaedros; o cristal em baixo à esquerda mede cerca de 2,5 mm), fotografia de James St. John, CC BY 2.0, Wikimedia Commons; modificada (recorte, preto e branco, cor seletiva). Estes diamantes não têm qualquer ligação à Bolsa de Ramat Gan.

    Vinte anos depois, em Ramat Gan

    Encontrámo-nos com Nissim Zuaretz na Bolsa de Diamantes de Israel (Israel Diamond Exchange, IDE), em Ramat Gan, a 11 de fevereiro de 2026. Eu tinha percorrido as suas salas de negociação pela primeira vez vinte anos antes. Eleito sem oposição em maio de 2024 para um mandato de três anos, Zuaretz é o 11.º presidente da Bolsa (Rapaport). Em 2007, foi cofundador da DN Diamonds, especialista em diamantes de grande dimensão com sede na Bolsa e escritórios no Dubai, em Nova Iorque e em Hong Kong; a empresa recebeu três vezes o prémio israelita de exportador de excelência (IDE, Globes).

    Da rua Achuzat Bayit a Ramat Gan

    O comércio israelita de diamantes nasceu em Telavive. Segundo a cronologia da própria Bolsa, o Israel Diamond Club foi ali fundado a 8 de outubro de 1937 e instalou-se em dezembro de 1947 no n.º 3 da rua Achuzat Bayit. Conta-se no meio que Moshe Schnitzer, que teve um papel ativo na unificação das organizações do setor em 1947 e presidiu à Bolsa de 1967 a 1993, terá pedido primeiro espaço ao presidente da câmara de Telavive, e que este terá recusado por não haver jazidas de diamantes no país. O que está documentado é que, depois de dificuldades com a câmara de Telavive, o presidente da câmara de Ramat Gan, Abraham Krinitzi, propôs a sua cidade, então pouco urbanizada; o contrato dos terrenos foi assinado a 14 de novembro de 1961 (Wikipédia). A primeira torre, Shimshon, foi inaugurada a 24 de outubro de 1968, a Diamond Tower em 1993 e uma sala dedicada ao bruto em 1998.

    A indústria foi construída por sobreviventes do Holocausto e imigrantes judeus da Bélgica e dos Países Baixos, que trouxeram consigo o saber da lapidação. Durante décadas, os diamantes foram a única exportação em que Israel tinha um peso real no mercado mundial: em 1986 renderam quase 1,7 mil milhões de dólares, cerca de 24% das exportações do país, segundo o estudo da Biblioteca do Congresso dos EUA. Em 2024 ainda representavam cerca de 8% (Rapaport).

    Depois, o modelo mudou. A lapidação dos diamantes mais pequenos passou para centros de menor custo, sobretudo a Índia, onde produzir é mais barato, como Zuaretz explicou ao Globes em 2025. Em dezembro de 2016, o setor assinou um novo acordo com a administração fiscal: os diamantários, que até então pagavam imposto sobre o volume de negócios mesmo nos anos de prejuízo, passariam a ser tributados sobre os lucros (Gems2Jewellery). E o Dubai tornou-se a principal praça: a DMCC anuncia um recorde de 41,7 mil milhões de dólares em comércio de diamantes no emirado em 2025. Zuaretz sabe onde Ramat Gan mantém a vantagem: «Somos os especialistas das pedras grandes. Para as caras, é preciso um lapidador profissional, e uma experiência de uma vida nunca será substituída.»

    Diamantes de laboratório: «não é diamante»

    Sobre os diamantes criados em laboratório, Zuaretz não tem papas na língua. «Não vem do diamante, não é diamante, não é nada. O verdadeiro diamante vem da terra, onde fica milhões de anos», disse-nos. «Esta coisa horrível de laboratório CVD vende-se a 70 dólares o quilate.» Compara-os ao cristal Swarovski: bonito, mas sem raridade geológica nem peso emocional. Refere propostas em que a conta do restaurante custa mais do que um anel de noivado com diamante de laboratório, ou em que o ouro da montagem vale mais do que a gema. São opiniões e números seus; não verificámos o preço que indica.

    A regulamentação caminha para uma distinção mais clara. Na Índia, a norma IS 19469:2025 estabelece que a palavra «diamante», usada sem qualificação, só pode designar um diamante natural, e proíbe termos como «lab diamond» (Bureau of Indian Standards). Em Antuérpia, o laboratório HRD deixou de certificar diamantes de laboratório soltos a 1 de janeiro de 2026, continuando a emitir relatórios para joias que os incluam (AWDC, JCK). Zuaretz espera que o resto do mercado siga o mesmo caminho: «Em breve, em todo o lado, o mercado deixará de chamar “diamante” ao sintético. É como a Swarovski.»

    Sanções, África e 25 séculos de comércio

    As sanções contra a Rússia redesenharam as rotas de abastecimento. A União Europeia, em coordenação com o G7, proíbe desde 1 de janeiro de 2024 a importação de diamantes russos e, depois, a de diamantes russos transformados em países terceiros: desde 1 de março de 2024 a partir de um quilate e desde 1 de setembro de 2024 a partir de 0,5 quilates (Comissão Europeia).

    Zuaretz garante que os negociantes israelitas seguem a linha norte-americana. «A América diz que não podemos negociar com a Rússia, os bancos não enviam o dinheiro. Respeitamos exatamente a palavra e as leis da América», afirmou. «É pena, mas não negociamos mercadoria russa enquanto nada mudar.» Para ele, o futuro está mais a sul: «África é o futuro, controla o mercado porque a Rússia está de fora… Não há sanções para África enquanto houver o Processo de Kimberley.»

    A Bolsa também atravessou a guerra. A 19 de junho de 2025, um míssil iraniano atingiu as imediações do complexo da Diamond Tower, em Ramat Gan, partindo vidros em vários edifícios e provocando incêndios, noticiou o The Media Line. «Os mísseis iranianos caíram perto da Bolsa, mas não na Bolsa», disse Zuaretz. Vê no comércio algo mais antigo do que os conflitos atuais: os iranianos chamam ao diamante almas, recorda, e a palavra hebraica yahalom aparece no Livro de Ezequiel. «Nós, diamantários, conhecemo-nos e negociamos juntos há mais de 25 séculos: persas, judeus, árabes, azerbaijanos, bukharianos.»

    As máquinas e o olho do diamantário

    «Todas as máquinas vêm de Israel e depois copiam-nos», afirma Zuaretz sobre os equipamentos do setor, algo que não conseguimos medir. Cita os colorímetros da Zvi Yehuda, que segundo ele avaliam a cor em segundos; o DiamondWorld descreve um modelo capaz de prever a cor dos diamantes em bruto de D a K. Pela nossa experiência de gemólogos formados pelo GIA, o próprio GIA combina os instrumentos com o juízo dos seus classificadores.

    A inteligência artificial, diz, consegue classificar um diamante lapidado, mas não prever o que um cristal em bruto vai dar, por exemplo se acabará VS1 ou SI2 em pureza. «Não há duas pedras iguais… Isto exige uma vida inteira de diamantário.» Lembrando como a invenção do chip do engenheiro francês Roland Moreno caiu no esquecimento, alerta para o risco de perder o saber-fazer e tira uma única conclusão: «A única saída é uma zona franca.» Zuaretz disse-nos também que investe na Kimby.io, uma plataforma que oferece a investidores qualificados a propriedade fracionada de diamantes naturais de grande valor. Mencionamo-lo por transparência quanto aos seus interesses; não é uma recomendação de investimento.

    A zona franca, centro do seu pedido

    É o centro da sua mensagem. «O governo tem de nos ajudar com a zona franca. Todos os governos ajudam a sua bolsa de diamantes: a Índia com a banca, o Dubai com a isenção de impostos. Israel, zero ajuda», disse Zuaretz. «Sem ajuda, os dez maiores negociantes vão sair.»

    O pedido não é novo. Em maio de 2025, disse ao Globes que uma zona franca era «uma questão de vida ou de morte para a indústria». Em setembro de 2025, durante uma visita à Bolsa, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, anunciou que incluiria no orçamento de 2026 uma proposta para fazer de Israel uma zona franca para os diamantes, projeto liderado por Zuaretz (Rapaport). O modelo é o Dubai: isenção de direitos de importação e exportação, ausência de restrições cambiais e isenção de impostos sobre pessoas e empresas. À data de publicação, não encontrámos confirmação pública de que a zona tenha sido aprovada.

    Desde a nossa entrevista, a situação evoluiu. A 26 de julho de 2026, a Rapaport noticiou que Zuaretz se tinha demitido antes do fim do mandato; mantém-se no cargo até à eleição do sucessor, prevista para novembro ou dezembro. Segundo o Ministério da Economia e da Indústria de Israel, citado no mesmo artigo, as exportações israelitas de diamantes lapidados caíram 22% em termos homólogos no primeiro semestre de 2026, para 625,7 milhões de dólares. A IDE voltou também a integrar a Federação Mundial das Bolsas de Diamantes (WFDB), após um ano de ausência.

    A nossa opinião

    Na nossa opinião, Ramat Gan conserva o que é mais difícil de deslocalizar: o olho e a experiência necessários para comprar um grande diamante em bruto e lapidá-lo bem, e uma praça que diz aplicar as sanções à letra. Mas estes trunfos dependem agora de decisões tomadas fora da Bolsa. A concretização ou não da zona franca, e quem dirigirá a Bolsa depois das eleições, decidirão em grande parte se os maiores negociantes ficam. Vamos acompanhar as duas questões.

    David Nataf é gemólogo GIA (GG) e comerciante de gemas. A entrevista decorreu na Bolsa de Diamantes de Israel, em Ramat Gan, a 11 de fevereiro de 2026; as citações foram traduzidas do inglês.

    Fontes
    1. Rapaport, “Israel Diamond Exchange Names Nissim Zuaretz as President” (em inglês). rapaport.com, 21 de maio de 2024.
    2. Bolsa de Diamantes de Israel, “Nissim Zuaretz”, página da direção (em inglês). en.isde.co.il, consultado a 26 de setembro de 2026.
    3. Dean Shmuel Elmas, Globes, “Restoring the luster to Israel’s diamond industry” (em inglês). en.globes.co.il, 22 de maio de 2025.
    4. Bolsa de Diamantes de Israel, “Important Dates” (em inglês). en.isde.co.il, consultado a 26 de setembro de 2026.
    5. Bolsa de Diamantes de Israel, “Moshe Schnitzer” (em inglês). en.isde.co.il, consultado a 26 de setembro de 2026.
    6. Wikipédia, “Diamond Exchange District” (em inglês). en.wikipedia.org, consultado a 26 de setembro de 2026.
    7. Biblioteca do Congresso, Israel: A Country Study, “Diamonds” (em inglês). countrystudies.us, 1988.
    8. Gems2Jewellery, “IDE Reaches New Agreement with Tax Authority” (em inglês). gems2jewellery.com, 20 de dezembro de 2016.
    9. DMCC, “DMCC Announces Record USD 41.7 billion in Diamond Trade Through Dubai in 2025”, comunicado (em inglês). dmcc.ae, 13 de julho de 2026.
    10. Bureau of Indian Standards, Standard of the Week: IS 19469:2025 (PDF, em inglês e hindi). www.bis.gov.in, fevereiro de 2026.
    11. AWDC, “World First: Antwerp Diamond Lab HRD Becomes First in the World to End Quality Certification for Loose Synthetic Diamonds” (em inglês). www.awdc.be, consultado a 26 de setembro de 2026.
    12. JCK, “HRD Antwerp to Stop Grading Lab-Grown Diamonds” (em inglês). www.jckonline.com, 23 de junho de 2025.
    13. Comissão Europeia, “Restrictions on diamonds: frequently asked questions” (PDF, em inglês). finance.ec.europa.eu, versão de 17 de dezembro de 2025.
    14. Steven Ganot, The Media Line, “Iran Strikes Israel’s Soroka Hospital, Diamond Exchange; Netanyahu Vows Revenge” (em inglês). themedialine.org, 19 de junho de 2025.
    15. DiamondWorld, “OGI and Zvi Yehuda launch Colorimeter model-F” (em inglês). www.diamondworld.net, consultado a 26 de setembro de 2026.
    16. Leah Meirovich, Rapaport, “Israel Finance Minister Wants Country to Be Free-Trade Zone for Diamonds” (em inglês). rapaport.com, 25 de setembro de 2025.
    17. Joshua Freedman, Rapaport, “Israel Diamond Exchange President Resigns” (em inglês). rapaport.com, 26 de julho de 2026.

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  • Feira JGW de Hong Kong recebe 57 632 compradores em setembro, recorde desde a pandemia

    Feira JGW de Hong Kong recebe 57 632 compradores em setembro, recorde desde a pandemia

    Mercado da joalharia

    Feira JGW de Hong Kong recebe 57 632 compradores em setembro, recorde desde a pandemia

    A feira Jewellery & Gem WORLD Hong Kong, realizada de 14 a 20 de setembro de 2026 em dois recintos, recebeu 57 632 compradores únicos de 149 países e regiões, mais 4,5% do que em 2025 e a melhor afluência desde a pandemia, segundo a organizadora, a Informa Markets. Os expositores relatam encomendas regulares de diamantes de lapidação fantasia, forte procura de espinela e turmalina Paraíba, e compradores à procura de stock de venda rápida apesar do preço elevado do ouro.

    Por , gemólogo GIA (GG) · Publicado a · Atualizado a

    Ilustração a preto e branco em que só um cristal de espinela rosa vivo mantém a sua cor original, ao lado das palavras Hong Kong, Jewellery & Gem WORLD e das datas de 14 a 20 de setembro de 2026
    Ilustração NaNa News. Cristal de espinela de Mahenge (Tanzânia): fotografia de Rob Lavinsky, iRocks.com, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons; modificada (recorte, preto e branco, só a gema mantém a cor original), partilhada sob a mesma licença. O espécime não tem qualquer ligação com a feira.

    Dois recintos, uma semana

    A JGW, durante muito tempo conhecida como September Hong Kong Jewellery & Gem Fair, divide-se em duas partes. De 14 a 18 de setembro, três feiras no AsiaWorld-Expo, junto ao aeroporto, dedicaram-se às matérias preciosas: Gemstones, Diamonds & Fine Gems e Pearls+. De 16 a 20 de setembro, outras três, no Hong Kong Convention and Exhibition Centre (HKCEC), em Wan Chai, mostraram joias acabadas, embalagem, ferramentas e tecnologia, segundo o site da feira. No fecho da edição de 2025, a Informa tinha anunciado 15 a 21 de setembro para 2026 (JNA, outubro de 2025); a feira regressou depois àquilo a que a organizadora chama o seu calendário original (JGW).

    Recorde desde a pandemia, não recorde absoluto

    No balanço final, a Informa Markets anunciou 57 632 compradores únicos, «batendo recordes pós-pandemia», de 149 países e regiões, e cerca de 3000 expositores de 46 países e regiões (JNA, Gem Spectrum). Um ano antes, a feira atraíra 55 176 compradores de 141 países e regiões e mais de 3000 expositores de 44 (JNA).

    A organizadora não reivindica um recorde absoluto, e os números mais antigos explicam porquê. A edição de 2016 anunciou 55 768 compradores únicos e 3615 expositores (comunicado da UBM Asia); a de 2018, 54 142 visitantes únicos e 3730 expositores de 54 países e regiões, o seu máximo de expositores à data (comunicado da UBM Asia). Para 2019 não encontrámos número final: a Informa admitiu uma quebra de visitantes, sobretudo da China continental, numa feira que coincidiu com os protestos de Hong Kong e a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China (Informa, 22 de setembro de 2019; South China Morning Post). O total de 2026 ultrapassa, portanto, os números publicados para 2016 e 2018, com menos expositores: cerca de 3000, contra 3615 e 3730.

    Quem veio

    A afluência dividiu-se em partes quase iguais entre Hong Kong, a China continental e os compradores internacionais. O crescimento veio da América do Norte (+24,2%), da Europa (+13,4%), da Ásia Central (+42,2%) e da China continental (+4,5%), onde Guangdong, Xangai e Pequim forneceram a maioria dos visitantes e Shaanxi, Jilin, Hebei e Hunan foram as províncias que mais cresceram (JNA). O aumento dos compradores norte-americanos é «um novo normal», disse Celine Lau, diretora das feiras de joalharia da Informa. Allen Xiang, diretor-geral da divisão de joalharia, contou que há fornecedores a reencontrar clientes que não viam há cinco ou seis anos.

    O quadro mudou ao longo da semana. A 19 de setembro, o diário da feira citava Celine Lau: nos primeiros quatro dias, os compradores de Itália, Alemanha e Áustria tinham subido mais de 20% cada e os russos mais de 30%, enquanto os da Índia, das Filipinas e da China continental tinham descido (JNA Show Daily). O balanço final dá, ainda assim, a China continental a subir 4,5%. A organizadora não publicou números para o Médio Oriente, mas um fabricante de Hong Kong disse à JNA ter recebido mais clientes do Médio Oriente e muitos compradores africanos, e marcas do Barém procuravam na feira gemas de cor e diamantes de cor fantasia (JNA, JNA Show Daily).

    Diamantes: lapidações e cores fantasia vendem, os grandes brancos esperam

    No AsiaWorld-Expo, os negociantes descreveram uma recuperação estável. Os compradores encomendavam sobretudo peras e ovais de 2 a 4 quilates, cor E a G, pureza VS e boa SI, segundo um negociante de Hong Kong citado pela JNA; outro disse que tudo o que fica «entre 20 pontos e 2 quilates» se vende, mas que os brancos de topo vão levar tempo a recuperar. Um terceiro referiu forte procura de amarelos, rosas e azuis fantasia, negócio lento nos brancos D a F de 10 quilates ou mais, e vendas regulares de pedras de 2 a 3 quilates VS e SI, a cerca de 15 000 a 30 000 dólares cada (JNA). Um expositor de diamantes naturais considerou que o sentimento melhorou nos últimos três a quatro meses (JNA Show Daily).

    Esse otimismo convive com preços fracos. O relatório de preços IDEX de 3 de setembro registou mais descidas do que subidas, com fraqueza mais ampla nos redondos de 0,70 a 1,99 quilates. A feira inclui os diamantes e gemas sintéticos, criados em laboratório, entre as suas categorias de produtos (JGW), mas o balanço da organizadora não dá números sobre eles e não encontrámos qualquer relato fundamentado sobre o seu mercado durante a feira.

    Gemas de cor e pérolas

    Nas gemas de cor, os compradores procuravam «espinela e turmalina Paraíba», resumiu à JNA um negociante sediado no Dubai; os poucos compradores da China continental que recebeu pediam rubis e Paraíba. Um negociante estabelecido no Japão considerou estáveis os preços da Paraíba brasileira, apontou as espinelas vermelhas e rosa vivo entre as mais vendidas e viu compradores chineses e russos muito ativos, com os preços a continuarem a subir (JNA). Nos pavilhões Pearls+, expositores japoneses mostravam pérolas dos mares do Sul brancas e douradas, do Taiti e Akoya (JNA Show Daily), e uma cadeia malaia procurava pérolas e gemas de cor para encomendas por medida (JNA). Uma primeira masterclass em mandarim para criadores de conteúdos, feita com o IGI, o AIGS, o SSEF e a Gübelin, tratou da identificação, da origem e dos tratamentos (JNA).

    Ouro: peças mais leves e outros metais

    O ouro pesou nos pavilhões de joias acabadas. Celine Lau apontou as tensões geopolíticas, as tarifas aduaneiras e o preço elevado do ouro (JNA). A onça de ouro à vista negociava a 4378,97 dólares na manhã de 18 de setembro (GMT) (Reuters), abaixo do recorde de 5589,38 dólares de 28 de janeiro de 2026 (CBS News), mas muito acima dos anos anteriores. Uma cadeia filipina notou que os fabricantes oferecem joias de ouro com aspeto volumoso e menos peso, e uma cadeia malaia contava encomendar ouro de 22 quilates a fornecedores turcos e italianos e ouro de 24 quilates, o chamado «hard pure gold», a fabricantes chineses (JNA). Um joalheiro apresentou colares em titânio porque os preços dos metais «subiram muito» (JNA Show Daily).

    O que isto significa para os compradores

    • Afluência não é vendas. Os números contam pessoas, não transações, como sublinha a CIJ, e a Informa não publicou dados de vendas. «Recorde» quer dizer aqui «mais compradores do que em qualquer edição desde o início da pandemia».
    • Diamantes brancos: margem para negociar. Com os preços pedidos pelos redondos sob pressão e os negociantes a descreverem os grandes brancos como lentos, quem compra um diamante branco clássico está numa posição relativamente favorável. Peras e ovais de 2 a 4 quilates e cores fantasia são procurados pelo comércio: conte com preços mais firmes.
    • Natural ou sintético: peça um relatório. Ambos se vendem na feira e parecem iguais à vista. Para qualquer pedra importante, peça um relatório de um laboratório independente que diga se é natural ou sintética, e verifique o número no site do próprio laboratório.
    • Espinela e Paraíba: preços firmes. Os negociantes descrevem forte procura e preços a subir. Nas duas pedras, a origem e os tratamentos pesam no valor: peça um relatório de um laboratório reconhecido que os indique e, no caso da Paraíba, que confirme o cobre que justifica o nome.
    • Joias de ouro: verifique peso e toque. O ouro caro leva os fabricantes a peças mais leves ou ocas, toques mais baixos e metais alternativos como o titânio. Compare o peso de ouro declarado e a marca de contrastaria, não só o aspeto.
    • Calendário. Grande parte do que se encomendou em Hong Kong é stock de fim de ano: os expositores ligaram a afluência à reposição antes do Natal, e as novidades chegam às montras a partir do quarto trimestre.

    A nossa opinião

    Na nossa opinião, o sinal mais claro desta edição está menos no total do que na composição: o regresso de compradores dos Estados Unidos e da Europa após anos de ausência, e uma divisão nítida entre o que se vende (diamantes de lapidação fantasia, cores fantasia, espinela, Paraíba) e o que espera, como os grandes brancos de cor superior. Os números vêm da organizadora; as tendências, de expositores citados pela imprensa especializada, incluindo a JNA, publicada pela Informa Markets Jewellery, ou seja, pela própria organizadora.

    David Nataf é gemólogo GIA (GG) e comerciante de gemas. Este artigo baseia-se nos números da organizadora e na imprensa especializada.

    Fontes
    1. JNA, «JGW September shatters expectations with 4.5% attendance jump» (balanço da Informa Markets, em inglês). news.jewellerynet.com, 22 de setembro de 2026.
    2. Gem Spectrum, «Post-show Report (Hong Kong September show 2026): JGW September Shatters Expectations with 4.5% Attendance Jump» (em inglês). gem-spectrum.com, 21 de setembro de 2026.
    3. B. Sto. Domingo, S. Kwok, O. Quiniquini, JNA, «Robust demand at JGW September ahead of holiday season» (em inglês). news.jewellerynet.com, 24 de setembro de 2026.
    4. JNA Show Daily, «Positive momentum at JGW September 2026» (em inglês). news.jewellerynet.com, 19 de setembro de 2026.
    5. JNA Show Daily, «Bevy of activity at leading B2B marketplace» (em inglês). news.jewellerynet.com, 18 de setembro de 2026.
    6. JNA Show Daily, «Sourcing the perfect pearls» (em inglês). news.jewellerynet.com, 14 de setembro de 2026.
    7. CIJ, «JGW Hong Kong: more buyers, sharper sourcing strategies» (em inglês). www.cijintl.com, setembro de 2026.
    8. JGW September, site oficial, página inicial (em inglês). jgw.exhibitions.jewellerynet.com, consultado a 26 de setembro de 2026.
    9. JGW September, site oficial, «Introduction» (em inglês). jgw.exhibitions.jewellerynet.com, consultado a 26 de setembro de 2026.
    10. JNA, «JGW defies market headwinds with 10% rise in buyer traffic» (em inglês). news.jewellerynet.com, 8 de outubro de 2025.
    11. UBM Asia, «September Fair brings the best of the jewellery trade to the world», PR Newswire (em inglês). www.prnewswire.com, 10 de dezembro de 2018.
    12. Comunicado da UBM Asia, «More Than 55,700 Buyers Attended The September Hong Kong Jewellery & Gem Fair», INSTORE (em inglês). instoremag.com, 19 de outubro de 2016.
    13. Informa Markets, «September Fair delivers better-than-expected results as it attracts serious buyers» (em inglês). e.jewellerynet.com, 22 de setembro de 2019.
    14. Eric Ng, South China Morning Post, «Hong Kong jewellery fair – the world’s largest – robbed of sparkle by protests, US-China trade war, reports drop in turnout» (em inglês). www.scmp.com, 25 de setembro de 2019.
    15. IDEX Online, «IDEX Price Report for September: Prices Remain Under Pressure» (em inglês). www.idexonline.com, 3 de setembro de 2026.
    16. Reuters (via Kitco), «Gold scales one-week high as crude prices ease» (em inglês). www.kitco.com, 18 de setembro de 2026.
    17. Angelica Leicht, CBS News, «What is the highest gold price in history?» (em inglês). www.cbsnews.com, 24 de fevereiro de 2026.
    18. JNA, «About JNA» (publicada pela Informa Markets Jewellery, em inglês). news.jewellerynet.com, consultado a 26 de setembro de 2026.

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  • Assalto a uma joalharia em Lyon: como a inscrição laser ajuda a seguir diamantes roubados

    Assalto a uma joalharia em Lyon: como a inscrição laser ajuda a seguir diamantes roubados

    Mercado da joalharia

    Assalto a uma joalharia em Lyon: como a inscrição laser ajuda a seguir diamantes roubados

    Antes do amanhecer de 23 de setembro, assaltantes partiram a montra de uma joalharia no centro de Lyon e fugiram com peças expostas, na maioria ou na totalidade réplicas, segundo a marca e a imprensa local. O caso lembra o que identifica um diamante verdadeiro depois de sair da loja: o número de relatório gravado a laser no seu rondízio, e os limites dessa marca.

    Por , gemólogo GIA (GG) · Publicado a · Atualizado a

    Ilustração a preto e branco em que só um diamante azul verdadeiro, o Hope, mantém a cor, ao lado da palavra Lyon e de uma faixa de rondízio com uma inscrição laser fictícia, sem número real
    Ilustração NaNa News. Diamante azul: o Hope (45,52 ct), fotografia de 1974, Smithsonian Institution Archives (autor desconhecido), domínio público, Wikimedia Commons; modificada (recorte, preto e branco, cor seletiva). O Hope não tem qualquer ligação com o caso de Lyon; a inscrição representada é fictícia e nenhum número de relatório real é reproduzido.

    O que aconteceu

    Na quarta-feira, 23 de setembro, por volta das 3h30, indivíduos encapuzados partiram à martelada a montra da joalharia Edenly, na esquina da rue des Archers com a place des Célestins, no 2.º bairro de Lyon, levaram peças dos expositores sob o alarme e fugiram num Renault Clio branco, segundo o Le Progrès, a BFM Lyon e a Lyon Capitale. A maioria dos meios fala de três pessoas; a BFM Lyon e a TF1 contam quatro, incluindo um condutor. Segundo a TF1, o carro tinha sido dado como roubado.

    O Ministério Público de Lyon abriu um inquérito, entregue à divisão de criminalidade territorial do Ródano; segundo a TF1, a 24 de setembro, estará em causa furto em bando organizado e associação criminosa. Até ao momento em que escrevemos, não foi anunciada qualquer detenção.

    Um saque de réplicas

    A 25 de setembro, o Le Progrès noticiava que todas as peças levadas eram réplicas de exposição, como indicava um aviso na montra. À TF1, o fundador da marca falou de cerca de 300 peças, «uma grande maioria» réplicas, e de um prejuízo de alguns milhares de euros, longe das centenas de milhares que valeriam joias verdadeiras. Uma vendedora explicou à France 2 que as joias verdadeiras, em ouro e diamantes, só são feitas por encomenda. A loja, aberta este verão, reabriria a 25 de setembro (Lyon Mag).

    Segundo a TF1, foi a segunda joalharia assaltada em Lyon em duas semanas; a polícia judiciária descreveu ao canal um aumento notável dos roubos de metais preciosos e relógios, em parte devido ao preço muito alto do ouro, sobretudo na periferia de Lyon e de Besançon. A 16 de setembro, o Le Progrès relatava o assalto à mão armada a uma loja do Vieux-Lyon que compra e revende joias antigas, com um saque estimado em 138 000 euros. O ouro funde-se com muita facilidade, o que o torna difícil de seguir, lembrava em novembro de 2025 Thibaut Fontaine, chefe do gabinete central francês de luta contra o crime organizado, à franceinfo.

    O número no rondízio

    Um diamante pode ter uma identidade que o ouro não tem. O GIA grava a laser o número do relatório no rondízio, a estreita orla que contorna a parte mais larga da gema; a inscrição é invisível a olho nu, mas lê-se com uma lupa de 10×. O IGI e o HRD Antwerp oferecem o mesmo serviço, que, segundo o IGI, permite uma identificação e verificação rápidas. A técnica remonta a uma patente registada em 1980 pela Lazare Kaplan & Sons, concedida em 1983, que já referia a identificação de um diamante «roubado ou perdido».

    O número abre a base de dados do laboratório. Introduzido no GIA Report Check, na verificação de relatórios do IGI ou no portal do HRD, devolve os dados do relatório original. Também ajuda após um roubo. Em 2024, o GIA afirmou ter ajudado a recuperar dois diamantes de mais de quatro quilates roubados de uma casa no Colorado: enviados para classificação por um comerciante alheio ao caso, foram reconhecidos. As autoridades pedem muitas vezes ao GIA ajuda para recuperar diamantes que classificou e que foram dados como perdidos ou roubados, explicou Christina Yates, consultora jurídica adjunta do GIA. A Gemprint também aceita participações de diamantes roubados nela registados. Não encontrámos nenhum registo público de diamantes roubados pesquisável por número de relatório.

    Os limites da marca

    A inscrição fica à superfície. Investigadores do laboratório suíço SSEF escreviam em 2019 que estas marcas se podem perder quando a gema é relapidada e ser totalmente apagadas por um ligeiro polimento. Um número também pode ser falsificado: numa nota de laboratório de 2025, o GIA descreveu quatro diamantes apresentados no Dubai com números de relatório GIA falsos e avisou que uma inscrição fraudulenta pode escapar a um simples exame visual.

    Uma inscrição só existe se alguém a encomendou: um diamante lapidado antes da técnica existir, ou nunca enviado a um laboratório, não tem nenhuma. As gemas de cor também podem ser inscritas, como o SSEF mostrou num rubi, embora os seus investigadores notassem que a marcação sob a superfície ainda não era um serviço corrente. Sem inscrição, uma gema só pode ser associada ao relatório pela descrição, peso, medidas e fotografias.

    A nossa opinião

    Na nossa opinião, a lição está na diferença entre o metal e as gemas. O ouro fundido não deixa rasto. Um diamante com relatório deixa, mas só se o dono tiver guardado o número, se a marca sobreviver e se alguém a verificar quando a gema reaparecer. Aconselhamos a guardar o número e uma fotografia da inscrição longe da caixa das joias e, para uma gema de cor, um relatório detalhado com fotografias e medidas.

    David Nataf é gemólogo GIA (GG) e comerciante de gemas.

    Fontes
    1. Le Progrès, «Lyon. “J’ai rigolé sur le coup” : en pleine nuit, trois cambrioleurs ciblent maladroitement une bijouterie» (em francês). www.leprogres.fr, 23 de setembro de 2026.
    2. BFM Lyon, «Une bijouterie cambriolée en pleine nuit à Lyon, les auteurs du vol en fuite» (em francês). www.bfmtv.com, 23 de setembro de 2026.
    3. TF1 Info, «Attaque d’une bijouterie à coups de marteau à Lyon : les images impressionnantes des braqueurs avant leur fuite» (em francês). www.tf1info.fr, 23 de setembro de 2026.
    4. franceinfo / France 2, «“Il n’y a pas de vrais bijoux” : des voleurs ont braqué une bijouterie au marteau avant de découvrir qu’ils étaient factices» (em francês). www.franceinfo.fr, 23 de setembro de 2026.
    5. TF1 Info, «Bijouterie cambriolée à Lyon : les malfaiteurs ne savaient pas qu’ils étaient filmés… et qu’une autre surprise les attendait» (em francês). www.tf1info.fr, 24 de setembro de 2026.
    6. Laurence Loison, Le Progrès, «Lyon. Ils cambriolent une bijouterie à coups de marteau : tous les bijoux dérobés sont factices» (em francês). www.leprogres.fr, 25 de setembro de 2026.
    7. Vincent Guiraud, Lyon Capitale, «Braquage d’une bijouterie à Lyon : les bijoux dérobés étaient factices» (em francês). www.lyoncapitale.fr, 25 de setembro de 2026.
    8. Lyon Mag, «Cambriolage d’une bijouterie à Lyon : les bijoux dérobés étaient factices, l’enseigne rouvre ses portes» (em francês). www.lyonmag.com, 25 de setembro de 2026.
    9. Laurence Loison, Le Progrès, «Métropole de Lyon. “Je ne vous veux pas de mal, j’ai des dettes” : il séquestre deux salariés et braque une bijouterie du Vieux-Lyon» (em francês). www.leprogres.fr, 16 de setembro de 2026.
    10. Yannick Falt, franceinfo, «“Le cours de l’or aiguise l’appétit des malfaiteurs”, affirme le chef de l’Office central de lutte contre le crime organisé» (em francês). www.franceinfo.fr, 6 de novembro de 2025.
    11. GIA, “What is a laser inscription and is it important?” (em inglês). www.gia.edu, consultado a 26 de setembro de 2026.
    12. GIA, Report Check (em inglês). www.gia.edu, consultado a 26 de setembro de 2026.
    13. IGI, “IGI Laserscribe” (em inglês). www.igi.org, consultado a 26 de setembro de 2026.
    14. IGI, “Verify Your Report” (em inglês). lookup.igi.org, consultado a 26 de setembro de 2026.
    15. HRD Antwerp, FAQ (em inglês). hrdantwerp.com, página datada de 4 de setembro de 2026.
    16. Patente US 4,392,476, Lazare Kaplan & Sons, “Method and apparatus for placing identifying indicia on the surface of precious stones including diamonds” (em inglês). www.freepatentsonline.com, registada a 23 de dezembro de 1980, publicada a 12 de julho de 1983.
    17. GIA, “GIA Helps Recover Diamonds in Colorado”, comunicado (em inglês). www.gia.edu, 5 de fevereiro de 2024.
    18. Gemprint, “Report Lost / Stolen Diamond” (em inglês). www.gemprint.com, consultado a 26 de setembro de 2026.
    19. N. Chan, S. Pradhan, “HPHT-Processed Natural and Laboratory-Grown Diamonds with Counterfeit Inscriptions”, Gems & Gemology, Lab Notes (em inglês). www.gia.edu, verão de 2025.
    20. L.E. Cartier et al. (SSEF), “Laser Inscription and Marking of Gemstones”, InColor, n.º 43 (PDF, em inglês). www.ssef.ch, verão de 2019.

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